As Lagartas

Eu ainda não posso descrever o cão que está junto ao Louco, mas posso brevemente falar sobre as lagartas.

Muito provavelmente você que está me lendo não é ateu. Sei exatamente quais de vocês são ateus. Muito provavelmente você é agnóstico, religioso praticante ou um pseudo-católico. Pouco importa. Tampouco importa o quão profundo é o seu, ou mesmo o meu, conhecimento de História.

O importante é que vivemos num mundo judeu. Ponto. Num mundo de moral judaica. A maior contribuição do povo judeu foi o monoteísmo (a invenção de um único Deus), que por ser único, é mais forte que outros deuses, de outros povos.

Um mundo ateu é muito perigoso. Mesmo o mais sábio ateu diria que o ateísmo é perigoso e ainda não deve ser encorajado. Não existe nenhuma obra profética capaz de desenhar um mundo ateu sedutor. A maior parte dos ateus o são por apatia e excesso de consciência (que esta, como vimos, é um motor de fraquezas) e reuni-los num exército seria além de impossível, estúpido.

Vamos olhar para o mundo hoje: ele é americano. Todos aqueles países asiáticos com seus deuses milenares estão se americanizando. Índia, China etc.

Vamos olhar para a cultura japonesa, que se americanizou quase um século antes. Uma cultura de tenacidade que na Segunda Guerra foi derrotada por duas bombinhas. Bombinhas estas cuja confecção foi encorajada por Einstein, que também era judeu, diz a lenda, e cujo desenvolvimento foi liderado por Oppenheimer… judeu.

Se americanizar significa olhar para o mundo de outra forma e, por isso mesmo, deixar seu deus não judeu de lado.

Se você olha para os povos do mundo como personagens de um jogo de luta, você provavelmente vai querer comparar suas armas. Quando eu imagino o povo americano, logo me vem a imagem de um tanque M1 Abrams.

Gosto de simplificar as coisas desse modo.

Abrams me faz lembrar de Abraão, o patriarca judeu. Talvez não tenha havido na história da humanidade líder maior do que este. Incumbido de fazer um povo atravessar de onde hoje fica o Iraque até onde hoje fica Israel. Naquele tempo, camarada, era muita terra a percorrer — não existiam ônibus — e conseguir com que o povo nômade se mantivesse junto…ah, devia de ser necessária muita criatividade!, do contrário a liderança seria impossível.

O segundo livro da Bíblia é o Êxodo, livro que fala justamente dessa migração. Se eu fosse selecionar um mascote para essa história, eu selecionaria a Lagarta. A Lagarta que rastejou de Ur, na Caldéia, até a Terra Prometida, na Palestina.

E toda nossa medíocre existência tem tido a ver com a História da Lagarta.

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