A Borboleta – I

Há exatos dois anos eu conheci a Borboleta. Para parecer mais Louco, poderia dizer que é a Borboleta que figura junto ao Louco, ao cão e ao precipício do primeiro Arcano?

Trata-se de uma mulher. Linda mulher. Sentou-se à minha esquerda naquele sábado de manhã. Todos aqueles momentos são como uma cena de filme, ou melhor, como um ritual de Iniciação. Eu lembro de cada detalhe.

Em 2008, eu era um cara muito ocupado. Tinha o trabalho na consultoria, que ocupava grande parte do meu tempo, tinha a faculdade, o inglês aos sábados e outras coisas que não vem ao caso. Mais cansativo que tudo isso, tinha a minha consciência, que me rouba a vida.
Era para ser só mais um sábado, era para ser somente mais uma primeira aula do semestre no inglês.

A não ser pelo fato que eu queria desistir de trabalhar, era só mais um começo de ano. Meus leitores que eram meus colegas de trabalho podem confirmar isso.
Janeiro de 2008 foi de muitas expectativas para mim. Expectativas frustradas que detonaram meu moral.
Largar o trabalho significaria comprometer toda uma vida, todo um processo árduo.

Minha visão de mundo hoje tenta compreender o conceito de oportunidades, livre-arbítrio, aleatoriedade.

Sem a Borboleta, eu não teria ido pedir demissão naquela primeira semana de março de 2008.

Antes de eu prosseguir, preciso de mais doses de convicção.

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