Já tenho a convicção necessária para continuar escrevendo.
A Lara sentou ao meu lado esquerdo naquele 23 de fevereiro de 2008, naquilo que era para ser só mais uma aula de inglês. Não ousaria escrever como a Lispector em “Os desastres de Sofia”, mas o amor que eu desenvolvi não foi um amor masculino. A Lara foi naquela manhã de sábado uma força anti-inercial abrupta na minha vida, força que me permitiu tomar decisões bem mais corajosas do que eu estava acostumado em várias pequenas ocasiões dali em diante.
A Lara era linda, delicada e silenciosa. Além de baiana e muito inteligente, é tudo o que é preciso saber sobre ela.
Mas o que torna essa narrativa tão importante?
A Lara nunca se vestiu naquelas manhãs de sábado de modo que eu pudesse perceber qualquer tatuagem, mas eu sabia que ela tinha uma borboleta.
Junto ao seu ombro esquerdo, a Lara tinha a insígnia da Borboleta — muitas mulheres o tem, você poderá, meio leitor cético, rebater. No caso da Lara, a Borboleta me mostrou um caminho e me deu fé.
A fé em si mesmo. É necessário quase a genialidade.
O Louco, o Cão, a Borboleta e o Precipício.
É necessário construir uma Ponte. Eis a Ponte de Zaratustra? Quem senão o Louco a deverá construir, se é ele quem está diante do abismo?
Amigo, entendo como a borboleta motivou e impulsionou seus voos. O interessante na borboleta é a metamorfose, em particular um tipo de metamorfose que traz a beleza acompanhada de uma radical (e evolutiva) mudança de comportamento.
Mas como todo bom curioso… por onde anda esta borboleta?