Maktub

Da maneira mais sintética possível, vou tentar expor um raciocínio do porquê de eu ter voltado a ser deísta. Isso muda pouca coisa por enquanto, mas muda um fundamento essencial no meu comportamento o que acarretará profundas mudanças daqui a algum tempo.

Quem me conhece sabe que não fui nos últimos 10 anos um ateu fácil, sempre carreguei um paradoxo da onipotência à manga, qualquer outro raciocínio cíclico ou científico para neutralizar uma crítica religiosa. E na minha família, tais críticas nunca foram amenas.

Em um certo momento da minha vida eu comecei a olhar para o conceito de Destino sem preconceito. Dadas algumas recorrências em momentos de vitórias pessoais que antecediam um alto grau de ansiedade. Descobri que tais sinais já apareceram diversas vezes na história da humanidade, geralmente envolvos por algum grau de misticismo.
Se eu fugi da Igreja, imaginem a minha opinião sobre a metafísica em geral.

Não vou trabalhar com o conceito da origem universal, vamos pensar num nível mais próximo, ainda assim sistêmico.
Vamos nos comparar a um computador.

Se cada ser humano for um computador, onde cada sentimento, cada traço físico (DNA), cada estímulo é produzido por um algoritmo, todo o comportamento da humanidade é teoricamente previsível. Dado que o clima, a rotação terrestre e os movimentos planetários também são teoricamente previsíveis, o Big Bang teria sido responsável pela crucificação de Jesus e pela ascensão de Hitler ao poder. O Big Bang teria determinado este post aqui agora e teria determinado que você tenha descoberto este post pelo meu Twitter (ou pelo Google). Enfim, se todo efeito tem sua causa, voltando lá na origem, nada seria realmente aleatório, não haveria acaso. Acaso é simplesmente uma variável fora de escopo, mas dentro do escopo inteiro, não existe acaso.

Em computação sabemos que software por si é incapaz de gerar números aleatórios. O que é possível é a geração de números pseudoaleatórios. Enfim, se não houver algo que venha de fora, a nível de hardware, o conceito de aleatoriedade é apenas uma simulação, uma farsa.

Se você não acredita que nosso comportamento seja de algum modo alterado por uma força excepcional que seja capaz de produzir aleatoriedades no nosso comportamento, então, deveria abrir a cabeça para o conceito de Destino. “Maktub”, estava escrito.

Muitos de nós já relatamos pequenas (ou grandes) experiências de pensar ao mesmo tempo em algo supostamente fora de contexto a mesma coisa que outra pessoa estava pensando. Em pensar em uma pessoa ao mesmo tempo que ela te telefona, ou coisa assim. A questão da telepatia.
Suponhamos que haja uma comunicação num outro nível também, a glândula pineal poderia ser o órgão responsável por isso em nosso cérebro. Para quem desconhece as curiosidades sobre a Epífase, acesse os vídeos do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Claro que ele impõe sua visão espiritualista sobre a tal glândula.

O ponto é, caro ateu, se não existe Destino (não sei opiniar ainda se o Amor Fati de Nietzsche é tão determinístico), o que é capaz de originar o Acaso? Que mecanismo é capaz de gerar o Acaso?
Enfim, o que é Acaso?

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