03 de janeiro de 2012.
Acabei de voltar de um jantar com meu antigo consiglieri, após mais de um ano. Eu precisava testar sua capacidade de produzir milagres ainda. De me dar bons conselhos.
Fomos a um restaurante em Moema, na Macuco, e sentamos a uma mesa próxima a dois homens, um jovem, traços libaneses, outro velho, sem qualquer traço que o diferenciasse de um brasileiro comum — velho, certamente.
Meu consiglieri me colocou propositalmente próximo aos dois homens, como se soubesse ou suspeitasse o que eu fosse ouvir.
Pedi um Fettuccini com camarão; ele, frango.
No restaurante haviam no máximo oito ou nove clientes, a maioria distantes de nós. Os únicos próximos a mim eram os dois homens na mesa ao lado. Bem, estava óbvio que meu consiglieri queria que eu ouvisse a conversa.
Três minutos de observação e identifiquei os dois homens como policiais civis de São Paulo.
Como eu havia dito, um velho e um jovem. Dois policiais civis num restaurante fora do padrão de policiais civis. Quero dizer que aqueles policiais civis de São Paulo não estavam ali por acaso.
Notei como o policial mais novo lambia as bolas do mais velho e seu propósito.
O mais velho aconselhava o mais novo para ele se acalmar, que ele sofria demais por antecipar as coisas. Que era ansioso demais. (Deus, duas mesas, dois cenários semelhantes)
Minha rotina iniciou logo ali. Meu consiglieri havia solicitado que eu entrasse no jogo ao receber um sinal.
O policial mais velho mandou: – Eu provavelmente tenho de polícia o que você não tem de idade. Tenho 34 anos de polícia, quantos anos você tem?
O mais novo respondeu: – Eu tenho trinta e dois anos.
Caralho, Deus, era hora de entrar no jogo. Explico essa história depois. Depois de explicar aos novos amiguinhos o porquê de eu precisar escrever. Hão de compreender, certamente.
Isso não faz duas horas. Há pouco mais de dois meses de retorno ao Brasil.
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